PC faz buscas em Capão da Canoa em operação contra construtora de Canela
Ofensiva investiga fraudes imobiliárias, estelionato e crimes contra o sistema financeiro; proprietário da empresa foi preso.
A Polícia Civil deflagrou, nesta quinta-feira (11), a Operação Columbus, que investiga um esquema de fraudes imobiliárias e financeiras envolvendo uma construtora de Canela, na Serra Gaúcha. A ofensiva é conduzida pela Delegacia de Polícia do município e mira crimes como estelionato, lavagem de dinheiro, fraudes contra o sistema financeiro e contra a administração da Justiça.
Além de Canela, mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços de Capão da Canoa, Gramado e São Francisco de Paula. Os locais exatos não foram divulgados. A ação mobilizou cerca de 70 policiais civis e resultou na prisão do proprietário da construtora, apontado como líder do esquema.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram apreendidos documentos, materiais de interesse investigativo e o veículo do empresário, que não teve o nome divulgado. Segundo a Polícia Civil, a ofensiva busca desarticular uma “sofisticada rede criminosa” suspeita de aplicar golpes em dezenas de clientes na região.
Construtora usava empresas diferentes para driblar credores
Conforme a investigação, a construtora operava por meio de múltiplas pessoas jurídicas, formalmente distintas, mas geridas sob a mesma liderança. O objetivo seria desviar pagamentos, ocultar patrimônio e frustrar execuções judiciais movidas por compradores e credores.
O modus operandi apontado no inquérito seguia um padrão:
- Empreendimentos eram oferecidos com preços atrativos e forte apelo de marketing para atrair grande número de interessados;
- As obras eram iniciadas, mas depois paralisadas, enquanto os valores pagos eram desviados para novos negócios e aquisição de terrenos;
- Clientes que buscavam explicações eram evitados, pressionados ou coagidos a não ingressar na Justiça;
- Havia, ainda, a suposta emissão de títulos de crédito falsos e a negativação indevida de consumidores em órgãos de proteção ao crédito.
A Polícia Civil relata também casos de venda de imóveis em duplicidade, publicidade enganosa, uso de documentos possivelmente falsificados e tentativa de recuperação judicial vista como manobra para blindar o patrimônio do grupo.
Prejuízo passa de R$ 6,4 milhões
Os prejuízos financeiros diretos já identificados ultrapassam R$ 6,4 milhões, somando valores de unidades vendidas sob suspeita, obras abandonadas, negativações irregulares de clientes e débitos com fornecedores.
Para garantir a reparação às vítimas, a Justiça decretou o arresto de todos os imóveis registrados em nome do empresário, de sua companheira e das empresas associadas, além do sequestro de veículos, incluindo um automóvel de luxo.
O delegado Vladimir Medeiros, titular da Delegacia de Polícia de Canela, destacou que a investigação é resultado de múltiplos registros de ocorrência e denúncias recebidas nos últimos anos. Segundo ele, a operação reforça o compromisso da Polícia Civil em combater a criminalidade organizada, especialmente aquela que atinge o patrimônio e a confiança da população.
As investigações seguem em curso, e novos desdobramentos não estão descartados.








